Conhecendo os antibióticos!

Olá queridos amigos, obrigado por se ligarem em mais um episódio de nossa série. A estrela de hoje, com certeza, dispensa apresentações, pois se trata da classe de fármacos mais usada na medicina. E cá entre nós, é também a mais mal usada dentre as drogas disponíveis para uso terapêutico, o que tem criado grandes problemas para a saúde pública, com o surgimento de bactérias resistentes a uma ampla variedade de antibióticos (como nosso conhecido amigo MRSA).

Antibiótico vem da palavra antibiose, que é a a capacidade de substâncias vivas matarem outras (ou seja, a vida mata a vida), uma relação ecológica conhecida a quase tanto tempo quanto a microbiologia. Se iniciou em 1936 com a primeira utilização clínica de um antibiótico, a sulfanilamida. O médico que o fez levou o Prêmio Nobel da Medicina três anos depois.

Afinal, o que são antibióticos? No conhecimento popular, é tudo o que é usado contra bactérias. Errado! Antibiótico é toda substância oriunda de um microorganismo que tem a capacidade de inibir o crescimento de um outro microorganismo, ou causar a sua morte. Ou seja, temos os antibióticos anti-bacterianos e os antibióticos antifúngicos (como a griseofulvina, isolada do fungo Pennicilium griseofulvim). Mas grande parte dos “antibióticos” disponíveis no mercado atualmente, na verdade são produtos derivados dos antibióticos, os quimioterápicos antimicrobianos, que incluem os que atuam em bactérias e os que atuam em fungos.

Assim, o melhor nome para esse conjunto de substâncias é anti-microbianos, o que engloba todo tipo de substância seja um antibiótico, seja um quimioterápico. E como a ciência gosta de classificações, podemos classificar os anti-microbianos conforme a sua natureza. Ou seja, se ele for uma molécula vinda diretamente da natureza, são os anti-microbianos naturais. Se essa molécula vinda da natureza, sofre alguma modificação, mas mantém sua estrutura principal, é um anti-microbiano semi-sintético. E temos os sintéticos, cuja molécula foi totalmente montada em laboratório.

Basicamente, anti-microbianos podem ter dois efeitos sobre as bactérias: no primeiro caso, ela causa a morte da bactéria. E no segundo caso, a bactéria não morre, mas o seu crescimento é inibido, o que permite que o sistema imune do hospedeiro trabalhe melhor, e termine o serviço. Se matar a bactéria, diz-se que é um antibiótico bactericida; se apenas inibir seu crescimento, é um bacteriostático. Acaba sendo uma questão de bom senso por parte do médico qual antibiótico usar. Se o paciente relativamente bem, um bactericida dá conta do recado; caso ele esteja ferrado, nas ultimas, e com um sistema imune incompetente, um bactericida na veia rápido e reza muito pro paciente resistir.

Apesar de existirem atualmente cerca de vinte mil substâncias com propriedades anti-microbianas, apenas algumas centenas desses são usados na medicina, e menos ainda em veterinária. Em parte, muitas dessas substâncias são tão tóxicas que matariam o paciente antes de eliminar a bactéria causadora de problemas. Os que são aproveitados em medicina pertencem a vários grupos distintos, cada um com suas características farmacológicas, mecanismos de ação, toxicidade, e etc.

Com certeza o mais conhecido dos grupos é o da penicilina. Aqui temos a tão usada atualmente amoxicilina (que atualmente é vendida associada ao clavulanato de potássio), e o inesquecível bezentacil (penicilina benzatina, inesquecível apenas para quem já tomou uma intra-muscular dela, como eu). Junto com outro grupo, o das cefalosporinas (cefalexina, ceftriaxona), as penicilinas fazem parte de um grupo conhecido como beta-lactâmicos.

Também bastante conhecido são as tetraciclinas. Atualmente, quem está na moda é a oxitetraciclina e a doxiciclina (favor não usar doxi em cavalos, obrigado). Outro grupo com um representante famoso é o grupo das sulfonamidas, ou simplesmente sulfas. Quem nunca tomou Bactrim®? Então, nada mais é do que uma sulfa (sulfametoxazol) associada ao trimetoprim, uma combinação bastante efetiva (apesar de um tanto quanto incomoda pro fígado).

Outros grupos como os aminoglicosídeos incluem a famosa streptomicina (primeiro agente empregado com sucesso no tratamento da tuberculose humana), da neomicina e gentamicina, com as últimas duas bastante presentes em pomadas para uso dermatológico. Os macrolídeos com a conhecida eritromicina e azitromicina, os monobactâmicos com o aztreonam (que na verdade é um beta-lactâmico), as lincosamidas como a clindamicina, além dos glicopeptídeos como a vancomicina e teicoplanina. Existem outros grupos menos conhecidos, mas com relativa importância em medicina, como as polimixinas.

É obrigação do médico, seja de humanos ou de animais, o conhecimento das classes de fármacos disponíveis para o seu uso, suas características farmacológicas e seus respectivos usos. E acima de tudo, o bom senso, que sempre deve ser usado na hora da receita de um antibiótico ao seu paciente, visto que resistência bacteriana é um problema grave de saúde pública.

No demais, obrigado pelo seu tempo, um beijo na mamãe e nas crianças, abraços no papai e até a próxima.

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2 Responses to Conhecendo os antibióticos!

  1. stela disse:

    esse texto foi um maxio…eu fiz uma pesquisa sobre os antibioticos a ganhei dez.muito bom adorei.

  2. jasmim disse:

    ótima matéria

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